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O voluntariado é uma das marcas de Israel. Os números impressionam: 32% dos cidadãos israelenses fazem algum tipo de trabalho voluntário. É um dos índices mais altos do mundo. Em Portugal, 7,8% da população envolve-se com o voluntariado; e, no Brasil, esta é uma prática que embora tenha aumentado nos últimos anos, ainda é baixíssima, pois apenas 4,4% dos brasileiros fazem voluntariado.

O envolvimento com voluntariado está praticamente no DNA dos judeus e boa parte das ações voluntárias acontecem impulsionadas pelo desejo de cumprir a “tzedakah”, a tradição judaica de ajudar ao próximo, uma tradição que tem por base os preceitos da Torah.

O VOLUNTARIADO ISRAELENSE

O trabalho voluntário em Israel pode ser informal, envolvendo escolas e grupos sociais, ou coordenado por organizações sem fins lucrativos. Neste caso, há pelo menos 27 mil organizações que contam com 473 mil voluntários dedicando em média 16 horas por mês a atividades assistenciais. Um estudo realizado pelo Dr. Benjamin Gidron, da Universidade Ben-Gurion, chegou à conclusão de que se estes trabalhos fossem executados por trabalhadores formais corresponderiam a 43 mil postos de trabalho e equivaleriam a um orçamento anual de 177 milhões de dólares.

Longe de ser um fenômeno moderno, como acontece em outros países, o voluntariado sempre esteve presente ao longo da história do povo hebreu. Durante os 400 anos do domínio turco otomano, a pequena comunidade judaica na Terra Santa já tinha suas próprias sociedades de ajuda mútua, sociedades estas que mantinham vínculo com grupos de judeus espalhados por diversas partes do mundo, na chamada diáspora.

Nesta época, boa parte dos voluntários envolviam-se com a manutenção das escolas religiosas, com o apoio às sociedades funerárias, à construção de mikvês para os banhos rituais judaicos e à formação de grupos de ajuda às noivas. O apoio normalmente era confidencial, amparado na tradição do “matan baseter”, ou seja, da “doação secreta”.

Com o surgimento do sionismo político, visando a restauração do Estado de Israel, o trabalho voluntário foi ganhando corpo na própria Terra santa. No período que antecedeu a independência de Israel, em 1948, a comunidade judaica tinha já suas próprias instituições autônomas, cujo objetivo era proteger os assentamentos judaicos, a vida e a propriedade do seu povo. Surgiram nesta época também diversas organizações voltadas para a defesa física, sendo a Haganah, uma das pioneiras. A Haganah, por sinal, acabou por se tornar a base das Forças de Defesa de Israel.

O grande avanço no voluntariado israelense, no entanto, aconteceu com o surgimento dos kibutzim e do moshavim. As atividades realizadas em cada kibutz (assentamento coletivo) ou em cada moshav (vila cooperativa) eram conduzidas por dezenas de pessoas que desenvolviam assentamentos agrícolas em condições muito difíceis, mediante um esforço comunitário voluntário.

Foi nesta época que surgiram também algumas das organizações mais icônicas de Israel, organizações estas que continuam a trabalhar com voluntários até os dias de hoje. Destas organizações podemos destacar o Magen David Adom, correspondente israelense da Cruz Vermelha; a Akim, voltada para o tratamento de doentes mentais; a Ilan, uma organização de apoio às crianças deficientes; a Zehavi, que ajuda famílias numerosas; a Associação de Bem-Estar dos Soldados e a Sociedade para a Prevenção de Acidentes Rodoviários.

Houve também a criação de organizações femininas expressivas, como a Na’amat, formada por mulheres judias estabelecidas em Israel; a Wizo, uma organização feminina sionista internacional; e a Emunah, um movimento de mulheres religiosas.

Todos estas foram organizações tiveram por base, e ainda têm, o trabalho voluntário.

Em Israel, a educação para a ação social começa durante os últimos anos do ensino médio, quando os alunos são envolvidos em atividades voluntárias várias horas por semana. Estes trabalhos podem envolver a ajuda a idosos, a desfavorecidos, a novos imigrantes e a deficientes físicos. Quando acontece alguma emergência nacional, é comum encontrarmos classes inteiras de alunos do ensino médio assumindo tarefas voluntárias importantes. Isso acaba por desenvolver nos jovens um gosto para o trabalho voluntário, gosto este que muitas vezes o acompanha pelo resto da vida.

Sendo assim, é natural que ao chegarem a ensino superior, os alunos continuem a prestar serviços voluntários. Por isso, é comum encontrar universitários dando aulas particulares em jardins de infância, creches e escolas; ou ensinando adolescentes através de um serviço chamado “perach” (“flor”). Na área jurídica, também é comum encontrar-se advogados, ou mesmo firmas inteiras de advocacia, ajudando, voluntariamente, em processos que correm nos Tribunais de Pequenas Causas. O Serviço de Aconselhamento ao Cidadão é um exemplo de voluntariado nesta área.

A preocupação com o outro, principalmente com os desfavorecidos, está na base filosófica do voluntariado é algo que faz parte intrínseca da cultura judaica. As regras para a prática do moderno voluntariado podem não estar na Torah, na Lei de Moisés, mas os seus princípios sim. E são nestes princípios que se baseiam os judeus para firmarem as bases do voluntariado.

No livro de Levítico, já é possível ver a preocupação com os mais necessitados: “Quando também fizerdes a colheita da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega”, diz o verso 9 do capítulo 19. “Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro”, concluiu o texto.

Em Israel, há agricultores que não colhem os cantos dos seus campos. A primeira vista, pode-se ter a ideia que a colheita não foi feita, pois as máquinas agrícolas não alcançaram aquele ponto. Entretanto, para os judeus, o “canto” de uma plantação é chamado de “pe’ah”, e muitos deixam, de propósito, esta parte sem colher para que aquilo que ali está plantado possa ser apanhado pelos “pobres e estranhos”. Encontramos este princípio em Levítico 19.9: “Quando também segardes a sega da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente.”

FOTO ACIMA: Campo em Efes Damim, entre Tel Azeka e Tel Socó, após a colheita do trigo. Foi neste local que aconteceu a batalha entre Davi e Golias 1000 anos a.C.
FOTO ABAIXO: Pe’ah do trigo deixado pelos agricultores no campo de Efes Damim, em foto tirada no dia 02/07/2017.

TRADIÇÃO MILENAR QUE SE MANTÉM

Há também a tradição de se deixar no solo qualquer grão que caia. Alguém pode argumentar que nos dias de hoje isso faz sentido, pois dentro das modernas técnicas de agricultura é inviável, numa produção em escala, recolher estes grãos. Acontece que esta é uma prática milenar, a que os judeus dão os judeus dão o nome de “leket”, e está baseada em Levítico 23.22, onde lemos que os judeus “não deveriam recolher as espigas caídas da sega, deixando-as para o pobre e para o estrangeiro”. O mesmo deveria ser aplicado no momento da vindima, sendo que o que fica das uvas nas parreiras é chamado de “olalot”. A primeira colheita, a “batzir” é feita pelo proprietário da vinha, e a segunda, a “olalot”, pelas pessoas pobres.

Embora em diversas regiões de Israel não vejamos hoje pessoas realmente necessitadas, pelo menos a ponto de terem de recorrer à restos de colheitas para sobreviver, é possível encontrar moradores locais participando da “leket” ou da “olalot”, simplesmente por tradição.

Crianças colhendo a Shikh’chah dos morangos,  num campo entre Kfar Saba e Hod HaSharon, após a colheita da safra do ano de 2010.

Outra prática curiosa é a “shikh’chah”, ou “esquecimento”, cujas origens também remontam aos tempos bíblicos. Na “shikh’chah” os produtores “esquecem”, propositalmente, de colher certas partes do campo, para deixar alguma coisa para os menos favorecidos. O princípio foi estabelecido em Deuteronômio 24:19-21 e a prática deveria ser aplicada em todas as colheitas, fosse do trigo, das uvas ou das azeitonas. No capítulo 2 do livro de Rute, vemos Boaz seguindo estas tradições. Nos dias de hoje há regiões em Israel onde a “shikh’chah” é deixada para as aves migratórias.

Estrangeiros colhendo morangos deixados por agricultures que preservam a tradição da Shikh’chah.

O VOLUNTARIADO ESTRANGEIRO

Embora a força propulsora do voluntariado israelense seja o próprio israelense, o país tem também as portas abertas para o voluntariado estrangeiro. Normalmente são trabalhos de curto-prazo, de três meses a um ano, mas há casos onde se permite a extensão do Visto de permanência do voluntário. Muito deste voluntariado envolve o período das férias de verão, quando jovens de diversas partes do mundo podem ser vistos dando apoio em escavações arqueológicas, em atividades agrícolas nos kibutzim ou em serviços sociais urbanos.

No best-seller “Nação Empreendedora – O milagre econômico de Israel e o que ele nos ensina”, Dan Senor e Saul Singer atribuíram a Israel o título de “nação startup”, e quando olhamos para a forma como o povo de Israel envolve-se no trabalho voluntário, podemos dizer que esta é também uma “nação stand-up”, uma nação que se levanta para ajudar o próximo.

NOTÍCIAS DE SIÃO apoia o trabalho voluntário do casal Luciano e Helena, que atualmente se encontram em Israel, e também a candidatura de Mônica Loecy para um futuro voluntariado. Se você deseja contribuir financeiramente com estes 3 voluntários, entre em contato através do WhatsApp.

LUCIANO E HELENA: +972 54-478-1803 – MÔNICA LOECY: +55 85 8563-8547

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