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Líbano

Vídeo que mostra ‘míssil’ atingindo o porto de Beirute é fake

Circula nas redes sociais – e não só – um vídeo onde, supostamente, se pode ver um míssil atingindo o edifício central da mega-explosão que arrasou o porto de Beirute na última terça-feira, 04.

O vídeo não é novo, já circulou pelas mesmas redes sociais, assim que a que as explosões ocorreram. A diferença é que agora ele se encontra “em negativo”, e nele se pode ver um risco a cortar as imagens milésimos de segundos antes da segunda e maior explosão.

Para reforçar a hipótese de ataque, o autor da postagem legendou: “Os ângulos de explosão mais próximos disponíveis online. Você ainda acredita que foi um acidente!!??”

O vídeo apareceu originalmente numa conta do do Youtube e já nas primeiras horas atingiu 348.000 visualizações. As imagens também foram baixadas e compartilhadas no Facebook e no Twitter, onde até à noite de ontem havia sido retuitada quase dez mil vezes. E dezenas de usuários do Twitter consideram o vídeo autêntico. Mas, será?

Não sou perito em manipulações gráficas, mas assim que vi o vídeo percebi que se tratava de uma farsa. Passei as imagens frame-por-frame e o suposto míssil aparece tão nítido, de uma forma impossível de ser captada em numa filmagem real, principalmente quando esta captação é feita à partir da câmera de um telefone celular.

Mas, como disse, não sou perito, por isso fui ouvir a opinião de alguém que conhece os meandros das manipulações gráficas, os meandros das fake news.

Hany Farid, professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, é um analista forense digital, expert nesse tipo de observação, fez exatamente a mesma coisa que eu fiz, só que com mais experiência e mais recursos tecnológicos e chegou â mesma conclusão: “Obviamente, é falso!”

Nem precisava, mas o especialista de Berkeley calculou a trajetória e o “comportamento” do suposto míssil e concluiu que tudo aquilo é simplesmente impossível de acontecer da forma que o vídeo sugere.

E o argumento mais compreensível aos olhos de um leigo, é que à medida em que o suposto míssil se aproxima do alvo, o seu tamanho e ângulo não mudam, o que naturalmente acontece com os mísseis reais, e cerca de 8 segundos desde o início das imagens, ele simplesmente desaparece, antes de atingir qualquer objeto ou edificação.

“O míssil parece grande demais para ser fisicamente plausível e não há desfoque de movimento, como seria de esperar, dada a velocidade com que estaria viajando”, concluiu Farid.

Jeffrey Lewis, especialista em mísseis do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, de Monterey, Califórnia, foi mais direto… e mais irônico: “É basicamente um míssil de desenho animado.”

“Se [o autor do vídeo] fosse menos amador, nós teríamos que identificar o tipo real de míssil, estimar a trajetória e a velocidade de reentrada, bem como procurar artefatos digitais, mas nesse caso nem isso é preciso, pois ele foi tão amador que não precisamos perder tempo com isso”, disse Lewis, arrematando com um trocadilho intraduzível: “This is more derp fake than deep fake.”

O autor do vídeo quis fazer uma manipulação sofisticada, mas acabou fazendo apenas um videozinho infantil.

ANDS

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