As pesquisas estão ainda em fase experimental, mas os resultados são animadores. Cientistas da Universidade Ben Gurion, no Deserto do Negev, Israel, descobriram que uma bebida fermentada chamada kefir pode ser usada no tratamento das “tempestades de citocinas” causadas pelo novo coronavírus. Os pesquisadores identificaram moléculas no kefir que são eficazes no tratamento de várias condições inflamatórias, incluindo as tais “tempestades”.

O sistema imunológico humano é algo maravilhoso e o maior desafio da ciência é criar mecanismos artificiais que imitem ou trabalhem de forma conjunta com ele. Quando acontece um processo infeccioso, o organismo, via sistema imunológico, entra em ação, lutando contra a infecção. Neste momento, um conjunto de proteínas, chamadas de citocinas, sinalizam as células imunológicas que passam a agir contra a infecção. O processo é controlado pelo próprio organismo, mas quando ele entra em descontrole, o sistema imunológico passa a atacar a si mesmo, desencadeando as tais “tempestades”. Isso foi observado na maioria das mortes causadas pela pandemia de 1918 e agora se tem verificado nos casos de mortes pelo Covid-19.

A grande novidade anunciada pelos cientistas israelenses, é que o kefir, um alimento simples, que é encontrado nas prateleiras de supermercados de todo o mundo, pode ser uma resposta para este problema. O kefir é uma bebida fermentada, feita de leite de vaca ou de cabra, misturado a outros microorganismos como fermentos e bactérias.

A pesquisa, publicada na revista científica Microbiome,

foi conduzida por Orit Malka, uma aluna de doutorado da universidade, e contou com o apoio do Professor Raz Jelinek, vice-presidente e reitor de pesquisa e desenvolvimento da Ben Gurion.

Vários anos antes do início da pandemia, Orit Malka observou que o iogurte tinha um efeito terapêutico e começou a estudá-lo no laboratório chefiado por Raz Jelinek. No estudo, aluna e professor identificaram moléculas no iogurte moléculas extremamente eficientes, moléculas que tinham propriedades antibacterianas e antiinflamatórias.

“Uma das principais razões pelas quais as pessoas morrem de COVID é a tempestade de citocinas”, disse Jelinek ao jornal Jerusalem Post. “As citocinas são moléculas imunológicas projetadas para ajudar o corpo a lutar contra invasores como os vírus, mas apenas em certas circunstâncias, e os cientistas não sabem exatamente por que, o corpo entra em uma espécie de overdrive e secreta muitas citocinas – tantas que até o matam. É isso que tem acontecido nos casos de Covid-19. “Sabíamos que havíamos encontrado essas moléculas com propriedades antiinflamatórias no iogurte, então, quando começou a pandemia de Covid-19, dissemos: Vamos ver se essas moléculas podem ajudar contra as tempestades de citocinas”.

Jelinek e Malka induziram tempestades de citocinas em ratos de laboratório e observaram as consequências. As cobaias submetidas a estas tempestades morreram, mas as cobaias tratadas com as moléculas encontradas no iogurte tiveram uma recuperação completa. As moléculas não apenas eliminaram a tempestade de citocinas, como também restauraram o equilíbrio do sistema imunológico. “Foi incrível!”, concluiu o professor.

O mais impressionante, é que a condução de todo o processo se deu da forma mais natural possível. Eles simplesmente davam o iogurte para os ratos, nada mais. Abriam a boca e os alimentavam.

O desafio da aluna Orit Malk e do Professor Raz Jelinek é obter autorização para começar testes em seres humanos que se encontrem em estado crítico. É claro que neste caso não lhes basta dar um copo de kefir, mas sim administrar moléculas cientificamente isoladas. “O potencial é enorme”, disse o professor, “mas ainda está nos primeiros passos”.

Raz Jelinek admitiu que mesmo se tratando de moléculas presentes nos iogurtes que já temos à nossa disposição, produtos que podemos comer todos os dias, essas proteínas, isoladas, seriam consideradas uma droga e teriam que passar por um exame minucioso a qual são submetidos todo e qualquer novo medicamento antes de receber a aprovação das autoridades competentes.

Para Raz Jelinek, esta é a primeira prova de que a virulência de bactérias patogênicas humanas pode ser combatida por moléculas secretadas em produtos lácteos probióticos, como os iogurtes e o kefir. Até agora, ninguém havia provado isto, mas a dupla de cientistas israelenses acaba de fazê-lo.

ANDS | JPOST

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