A resposta de Israel aos ataques do grupo terrorista Hamas se tornou na Primeira Guerra de Inteligência Artificial da História.

As Forças de Defesa de Israel, IDF na sigla em inglês ou Tzahal em hebraico, usaram Inteligência Artificial e supercomputação na resposta que deram aos terroristas do Hamas na operação realizada na Faixa de Gaza. A informação é avançada pelo jornal israelense Jerusalem Post.

Desde o início do ano, o grupo terrorista Hamas vinha lançando rockets sobre populações civis do Estado de Israel. O primeiro dos ataques aconteceu no dia 18 de janeiro, quando dois rockets obrigaram a população de Ashdod a correr para abrigos. Os artefatos acabaram por cair numa zona descampada da cidade.

No dia 23 de abril o ataque foi mais intenso, sendo que naquele dia 36 foguetes foram disparados desde Gaza. O sofisticado sistema de defesa Iron Dome calculou a rota e ao verificar que 6 deles poderiam atingir casas de civis, interceptou os mísseis ainda no ar. Embora tenham um poder destrutivo incalculável, os rockets lançados pelo Hamas têm baixo custo, dificilmente chegando a 1.000 dólares a unidade. Já cada inteceptação do Iron Dome não sai por menos de 40.000 dólares. É o preço que Israel paga para salvar a vida dos seus cidadãos.

Nos dois dias seguinte, 24 e 25, o Hamas disparou mais 7 rockets, sendo que 3 deles foram interceptados pelo Iron Dome.

O Tzahal entrou em alerta máximo, até porque se aproximava o dia mais sagrado do Ramadan, o mês sagrado do Islamismo, a religião do grupo terrorista Hamas. Historicamente, os muçulmanos comemoram esta sacralidade toda com muita violência e o Tzahal deveria estar preparado.

No dia 9 de maio, mais 6 rockets foram lançados e no dia seguinte, 10 de maio, Israel se viu debaixo de uma chuva de rockets. Do dia 10 até o dia 18, perto de 4.000 rockets foram aleatoriamente lançados contra Israel. Esta verdadeira “chuva” de mísseis transtornou a vida da população civil de Israel por duas torturantes semanas.

Mais de 500 desses rockets caíram em áreas desabitadas ou dentro da própria Faixa de Gaza, uma vez que os lançamentos não têm nenhuma precisão.

No entanto, 3.440 voaram em direção às cidades de Sderot, Ashkelon, Ashdod, Jerusalém e outras comunidades limítrofes, obrigando o inteligentíssimo Sistema Iron Dome a atuar, numa ação que acabou por resultar na interceptação de 90% deles.

O governo de Israel denominou a ação de Operação Guardião das Muralhas. E o que se sabe agora é que toda esta operação foi realizada seguindo coordenadas de Inteligência Artificial (IA), tornando a Guardião das Muralhas na Primeira Guerra de Inteligência Artificial da História!

“Pela primeira vez, a inteligência artificial foi um componente-chave e um multiplicador de poder no combate ao inimigo”, disse um oficial sênior do Corpo de Inteligência das IDF. “Esta é uma campanha inédita para as Forças de Defesa de Israel. Implementamos novos métodos de operação e usamos desenvolvimentos tecnológicos que foram um multiplicador de força para todas as IDF.”

E aqui está uma explicação para que em 11 dia de batalha, a maioria esmagadora das baixas entre os inimigos, foram de terroristas ligados ao grupo Hamas. Praticamente não houve baixas inocentes, pois a quase totalidade dos mortos eram terroristas ou apoiadores destes. O alvo principal foram as infraestruturas bélicas do grupo terrorista.

O Jerusalem Post (JPost) revela agora que embora os militares atuassem com o material defensivo já existente, sem nenhuma inovação bélica conhecida, a retaguarda foi totalmente coordenada através de IA.

As IDF estabeleceram uma plataforma tecnológica avançada de IA que centralizou todos os dados sobre grupos terroristas na Faixa de Gaza em um sistema que possibilitou a análise e extração da inteligência, explica o JPost.

Os responsáveis por esta proeza e pioneirismo foram os soldados da Unidade 8200 das IDF, uma tropa de elite conhecida como “Corporação de Inteligência” e que trabalham com algoritmos e códigos de programas já existentes e outros que foram sendo desenvolvidos e usados a medida em que as batalhas iam acontecendo. Isso é algo inédito na histórias das guerras.

Um complexo trabalho de coletas de dados usava inteligência de sinais (SIGINT), inteligência visual (VISINT), inteligência humana (HUMINT), inteligência geográfica (GEOINT) e outros recursos que não são revelados pelas IDF. De posse dessa imensa massa de dados, os soldados tinham acesso a informações básicas para realizar ataques precisos e seguros para a população civil do lado inimigo.

“Pela primeira vez, foi criado um centro multidisciplinar que produz centenas de alvos relevantes para o desenvolvimento da luta, permitindo que os militares continuassem a lutar pelo tempo necessário com mais e mais novos alvos”, explicou ao JPost um dos oficiais envolvidos no projeto.

A Faixa de Gaza é um aglomerado de residências, escolas, hospitais e edifícios comerciais, estruturas que a Israel não interessa destruir. Israel não trava guerras de “terra arrasada”.

No entanto, de forma sagaz, os estrategas do grupo terrorista Hamas instalam suas bases de ataque justamente no meio da densa área povoada, transformando a população civil de Gaza em verdadeiros escudos humanos e dificultando as ações defensivas das IDF.

E aqui entra, uma vez mais o fantástico sistema de IA que foi empregado por Israel. Nos últimos 2 anos, o serviço de inteligência das IDF diagnosticou os alvos a serem abatidos dentro da Faixa de Gaza e, espetacularmente, em tempo real, os alvos a serem defendidos tanto nas cidades limires quanto em pontos mais distantes como Tel Aviv e Jerusalém.

Os militares acreditam que o uso de IA ajudou a encurtar a duração do combate, tendo sido eficaz e rápido na obtenção de alvos usando superconhecimento.

O sistema de IA das IDF indicava o local exato onde se encontravam as bases militares terroristas, as bases de lançamento dos rockets, os locais de fabricação e estocagem desses mísseis, os drones que partiam em direção a Israel e também as residências residências dos comandantes e pessoas chaves do grupo terrorista Hamas.

Israel destruiu a maior parte da infraestrutura e do armamento da unidade de comando naval, incluindo vários submarinos autônomos, guiados por GPS, que podem transportar 30 kg. de explosivos.

À partir do espaço, os satélites usavam dados de geointeligência coletados ao longo dos últimos anos, para municiar a Unidade 9900 das IDF com informações precisas de onde atacar. Estes satélites foram capazes de detectar automaticamente as mudanças que aconteciam no terreno em tempo real para que, durante a operação, os militares pudessem detectar as posições de lançamento e atingi-las após o disparo dos rockets.

Uma das ações mais espetaculares deste sofisticado processo de IA, permitiu que a Unidade 9900, usando imagens de satélite, foram capazes de detectar 14 lançadores de foguetes localizados próximo a uma escola. Os alvos foram neutralizados de forma cirúrgica, sem causar danos à escola.

O mapeamento da rede clandestina do Hamas foi feito por um processo massivo de coleta de inteligência que foi ajudado pelos desenvolvimentos tecnológicos e uso de Big Data para fundir toda a inteligência. Uma vez mapeado, as IDF foram capazes de ter uma imagem completa da rede acima e abaixo do solo da Faixa de Gaza com detalhes impressionantes, como a profundidade dos túneis, sua espessura e a natureza das rotas. Com isso, os militares conseguiram construir um plano de ataque que foi utilizado durante a operação.

Usando os dados coletados e analisados por meio de IA, a Força Aérea Israelense foi capaz de usar a munição certa para atingir alvo certo, fosse ele um apartamento, um túnel ou um prédio.

Um exemplo disso foi a espetacular ação que tirou de cena Bassem Issa, um importante líder do Hamas que estava escondido num bunker estrategicamente construído abaixo de um prédio, cercado por seis escolas e uma clínica médica. O ataque de Israel atingiu apenas o edifício, neutralizando definitivamente o líder árabe sem deixar uma única vítima civil entre os moradores da região.

Bassem Issa era comandante do Hamas na Cidade de Gaza e foi a primeira figura militar do alto escalão do Hamas a ser morta por Israel desde 2014

A morte de Bassem Issa é um exemplo de como os alvos prioritários das FDI foram as lideranças e os operativos tanto do Hamas quando do grupo Jihad Islâmica. E as baixas foram grandes! Mais de 150 importantes membros destes escalões, incluindo terroristas especializados em pesquisa e desenvolvimento dos projetos de mísseis, foram definitivamente anulados, estão mortos.

Um desses “especialistas” chamava-se Jomaa Tahla e era chefe de tecnologia cibernética e de mísseis do Hamas. Juntamente com ele, morreram também Jemal Zebda, chefe do departamento de desenvolvimento e projetos de mísseis e 13 membros da unidade de fabricação de armas.

Segundo as IDF, estes mortos são peças-chaves “insubstituíveis”, pelo menos no curto prazo, dentro da estrutura terrorista do Hamas.

Três programas formam a base do sistema de Inteligência Artificial que fez de Israel o pioneiro neste tipo de guerra em toda a História. E os três programas têm nomes bem emblemáticos: Alquimista, Profundidade da Sabedoria e Evangelho.

ANDS | JPOST

1 Comments

  1. Shalom Roberto. Que belo artigo para nos manter informados da veracidade dos acontecimentos atuais dos conflitos e tecnologia de Israel para se defender dos seus sempre inimigo.

    Saalu shalom yerushalaim

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