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Conflitos no Monte do Templo: O que os jornais não dizem

Os jornais desta sexta-feira, 22, reportam que a Liga Árabe exigiu que Israel encerre todas as orações judaicas feitas na Esplanada das Mesquitas. O que os jornais não explicam é a forma como estas orações são feitas e onde fica a Esplanada das Mesquitas. Neste artigo, NOTÍCIAS DE SIÃO procura explicar aquilo que os jornais não dizem.

O MONTE DO TEMPLO

Embora localizado no coração da sua capital, os judeus não têm liberdade para entrar no Monte do Templo. E mesmo os turistas estrangeiros devem ser extremamente cautelosos quando visitam o local, pois os guardas que vigiam a presença de não muçulmanos, estão sempre atentos para que não haja nenhuma manifestação pró-Israel naquele espaço.

E por “manifestação pró-Israel” entende-se tudo, inclusive o uso de adereços relacionados à nação de Israel. Esta é uma das razões pelas quais dificilmente alguém vê fotos de alguém a portar bandeiras de Israel junto aos principais monumentos existentes neste local.

Poucas vezes por ano, os judeus são autorizados a visitar o local. E quando vão, têm que estar acompanhados de um forte esquema de segurança policial, caso contrário podem ser alvos de ataques violentos por parte dos muçulmanos.

Agora, o detalhe principal é que durante estas raras e breves visitas, os judeus não podem fazer nenhuma oração. Se as fizerem, estas devem ser apenas “mentais”, pois até mesmo o mover dos lábios é algo proibido aos judeus neste local.

Sobre esta questão, o ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman al Safadi, foi taxativo: “Nossas exigências são claras de que Al-Aqsa e Haram al-Sharif, e toda a sua área, são um único local de culto [apenas] para os muçulmanos”. A declaração de Ayman al Safadi foi feita à dezenas de repórteres internacionais tendo ao seu lado o Presidente da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, após uma reunião de emergência em Amã.

Ahmed Aboul Gheit disse que Israel está violando a política secular segundo a qual “não-muçulmanos podem até visitar o complexo de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do Islã depois de Meca e Medina, mas não podem rezar lá”.

Além do absurdo da imposição, há aqui algumas questões nunca antes explicadas por nenhum grande órgão de imprensa. Repete-se a exaustão a cantilena de que a Esplanada das Mesquitas é o terceiro lugar mais sagrado para o Islamismo, mas esta tese nunca foi devidamente explicada nem comprovada.

E o ponto de partida para esta reflexão, é uma indagação que vem após observarmos a foto que ilustra esta reportagem: Se Esplanada do Tempo é de fato o terceiro lugar mais sagrado do mundo para os muçulmanos, porque ao rezarem no local, os muçulmanos viram as nádegas e as solas dos pés exatamente para o terceiro dos mais sagrados dos seus locais de culto? Detalhe complementar: No Islamismo, virar a sola dos sapatos para algo ou alguém é uma das maiores afrontas que pode existir entre os muçulmanos. E embora eles descalcem os sapatos, mostrar a sola dos pés também não é uma atitude digna para com os elementos sagrados da sua fé.

Seria a Esplanada das Mesquitas realmente o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, ou este argumento não passa de mais uma acusação dos muçulmanos como forma de engendrar conflitos contra os judeus?

NOTÍCIAS DE SIÃO faz aqui uma apanhado dos lugares realmente sagrados para os muçulmanos para que seus leitores tenham uma melhor compreensão do que está de fato a acontecer neste momento em Israel.

OS LOCAIS MAIS SAGRADOS DO MUNDO PARA OS MUÇULMANOS

Al-Hijaz é a região mais sagrada do mundo para os muçulmanos. Situada no oeste da Arábia Saudita, é em al-Hijaz que se encontram as duas cidades mais importantes do islamismo, Meca e Medina.

Em Meca, a atração principal é al-Masjid al-Haram, “a Mesquita Sagrada”, ou “a Grande Mesquita”, o mais sagrado dos locais islâmicos e também a maior mesquita do mundo. No centro desta cidade santuário está a Kaaba, em cujo interior se encontra uma misteriosa pedra preta adorado pelos fiéis desta religião.

O segundo local sagrado islâmico é al-Masjid Al-Nabawi, “a Mesquita do Profeta”, situada em Medina e, segundo a lenda, teria sido construída pessoalmente por Maomé, sendo que nos séculos seguinte diversos califas se encarregaram de ampliar a construção.

O terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos chama-se Masjid Qubā, ou “mesquita Quba”, situada cerca de 3 km ao sul da cidade de Medina. Esta mesquita foi o primeiro templo construído por Maomé após a Hégira, nome dado à fuga de Maomé de Meca, depois que os habitantes locais o expulsaram por temor das ideias radicais apresentadas pelo fundador do islamismo. Segundo a lenda, Maomé teria passado mais de vinte noites rezando na Masjid Qubā original.

O quarto lugar mais sagrado para os muçulmanos é Hira, uma caverna perto de Meca, situada na montanha Jabal an-Nour. Os muçulmanos acreditam que foi nesta caverna que Maomé recebeu a primeira revelação de de Allah para a transcrição do Alcorão. A caverna está localizado a 1 km do local onde teria ficado a casa de Maomé. A caverna tem um formato retangular, com o comprimento voltado em direção à Kaaba.

O quinto lugar mais sagrado para os muçulmanos é al-Qiblatain, uma mesquita de Medina, construída no ano 623 d.C. E que tem uma interessante importância histórica. Teria sido ali, em al-Qiblatain, que Maomé definiu que todos os muçulmanos deveriam rezar voltados para Meca.

O sexto lugar mais sagrado do mundo para os muçulmanos é al-Haram ash-Sharif, ou “o Nobre Santuário”, a região que a imprensa internacional denomina “Esplanada das Mesquitas”.

A mesquita mais emblemática desta esplanada chama-se al-Masjid al-Aqsa, ou “a Mesquita Distante”, e sua história está envolvida mais em lendas do que em fatos ou registros lógicos e históricos.

A expressão “Mesquita Distante” é uma alusão a uma passagem do Alcorão na qual se descreve que Maomé teria feito uma viagem noturna, de Meca até uma “mesquita distante”. O relato, confuso e impreciso, encontra-se na Sura17 do livro do Alcorão.

A Sura (“capítulo”) recebe o nome de al-Isra’, ou “a Jornada Noturna”, mas não dá nenhum detalhe do local onde ficaria a tal Mesquita Distante. Anos após a morte de Maomé, os seus seguidores “inferiram” que esta mesquita ficava na cidade de Jerusalém, uma suposição surpreendente, uma vez que Maomé nunca esteve em Jerusalém e a capital de Israel não é citada uma vez sequer em todo o Alcorão.

O fato é que no ano 705 d.C, no tempo do califa Ualide I, surgiu em Israel, no coração da cidade de Jerusalém, uma pequena mesquita, que foi denominada Masjid al-ʾAqṣā, que traduzido significa “Mesquita Distante”. E à partir de então, os seguidores de Maomé passaram a chamar o local de al-Haram ash-Sharif, “o Nobre Santuário”.

Acontece é que foi neste local, exatamente neste local, que centenas de anos antes, estava erigido o mais belo templo jamais construído por nenhum outro povo em toda a História, o Templo de Salomão, ou, simplesmente, o Templo dos Judeus. E esta é a razão pela qual, historicamente, arqueológicamente, oficialmente, o local é denominado na língua hebraica como Har ha-Bayit, ou seja “O Monte do Templo”.

Como os judeus sempre foram muito precisos em suas anotações, a história judaica na região é muito melhor documentada. Desta forma sabemos hoje que o primeiro templo judaico, o Beit HaMikdash, foi edificado neste local no segundo mês do quarto ano do reinado de Salomão, o mês de Ziv, e a construção foi concluída no mês de Bul, o oitavo mês do décimo primeiro ano do Reinado de Salomão. Segundo a Jewish Virtual Library, esta data corresponde ao ano de 960 a.C.

Resumindo: 1.570 anos antes do surgimento do Islamismo, os judeus já adoravam ao Deus de Israel no Monte do Templo; e 1.665 anos antes da construção da acanhada mesquita de al-Aqsa, já havia ali um majestoso templo dos Judeus, o Beit HaMikdash.

UMA IMAGEM QUE FALA POR SI

A foto acima mostra um ângulo mais aproximado da imagem que aparece no início desta reportagem. Nesta segunda foto podemos ver dezenas de fiéis muçulmanos rezando de costas voltadas para a grande mesquita que se encontra no Monte do Templo. Eles rezam desta forma em observância à recomendação feita por Maomé, na Mesquita de al-Qiblatain, que orientou os fiéis a rezarem sempre voltados para Meca. Foi nesta mesquita, que é considerada o quinto local mais sagrado do mundo para os muçulmanos, que surgiu a doutrina que nos permite observar o nível de respeito que os muçulmanos devotam àquele que é o sexto lugar mais sagrado para eles, mas é o principal local sagrado para os judeus.

Para efeito de comparação, o nome da cidade de Jerusalém aparece 660 vezes no Antigo Testamento, e o seu sinônimo, Sião, outras 158 vezes. O nome da cidade de Jerusalém aparece 146 vezes no Novo Testamento, e o seu sinônimo, Sião, outras 7 vezes. Já o nome de Jerusalém, ou Sião, não aparece uma vez sequer no Alcorão, que é o principal livro sagrado para os muçulmanos.

Não é porém sem razão que o Monte do Templo, em Jerusalém, aparece em sexto lugar, como local mais importante para o islamismo em todo o mundo. E o que o que torna este local importante para os muçulmanos é apenas o fato dele servir de combustível para as polêmicas que os muçulmanos levantam contra Israel, porque se fosse por uma questão verdadeiramente religiosa, eles jamais se comportariam da forma como podemos ver nestas imagens.

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