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Razões pelas quais Elizabeth II nunca visitou Israel

Ao longo do seu longo reinado, a rainha da Inglaterra nunca visitou Israel. Como monarca britânica e também rainha da Commonwealth, Elizabeth II fez mais de 100 viagens, visitando mais de 43 países, Como Rainha da Inglaterra e monarca do Reino Unido, composto pela Escócia, pelo País de Gales e pela Irlanda do Norte, era natural que ela viajasse constantemente para estes países. E como a Commonwealth envolve outros 14 países sob o domínio real e como o seu reinado durou 70 anos, é natural que tenha viajado tanto.

O país recordista de visitas foi o Canadá, para onde Elizabeth II voou 27 vezes. É natural. O país é o mais importante da Commonwealth.

Para o Brasil, ela foi apenas vez, em 1968; e para Portugal, duas, em 1957 e em 1985. Para os estados Unidos, o “filho” mais importante do Reino Unido, Elizabeth II foi seis vezes.

E essas centenas de viagens superaram barreiras ideológicas, políticas, culturais e religiosas, tendo visitado pelo menos dezesseis países de maioria muçulmana, alguns deles mais de uma vez, como no caso dos Emirados Árabes Unidos, a Turquia e Omã. Para o Vaticano, ela foi quatro vezes. Mas, nunca para Israel. Haverá uma explicação para isso?

Do ponto de vista protocolar, nada impedia Elizabeth II de viajar até Israel e não há nenhuma prova concreta das razões pelas quais ela evitou visitar a Terra Santa. Há suposições, mas não explicações. Isso é um daqueles segredos que ela, literalmente, levou consigo para o túmulo.

No processo de tentar entender as razões pelas quais Elizabeth II nunca visitou Israel, é preciso entender o contexto em que ela viveu. E para entender este contexto, não basta analisar a história e a geopolítica destas 7 décadas, mas também o papel da realeza britânica.

Também, é preciso “entrar na cabeça da rainha” para tentar entender as suas razões, e esta não é uma tarefa fácil.

Além de ter sido uma governante sempre muito discreta, a Rainha Elizabeth nunca escreveu uma autobiografia. Biografias há muitas, mas relato na primeira pessoa, não. Então, o máximo que sabemos é o que as pessoas mais próximas pensam dela, e não o que ela pensava de si mesma.

Então, fica difícil assegurar as razões pelas quais Elizabeth II nunca foi a Israel. E é aqui que entramos no campo das especulações, e é aqui que passamos para as suposições.

De uma forma simplista, a conclusão seria: Se ela podia ir e não foi, é porque ela não quis ir. E nesse caso, é natural que nós pensemos da seguinte forma: Quando eu posso ir a um lugar, quando eu tenho condições de ir a este lugar e mesmo assim eu não vou, naturalmente é porque eu não gosto desse lugar. Silogismo.

Nos 70 anos de reinado da Rainha Elizabeth, ela teve dezenas de oportunidades de visitar Israel e simplesmente disse “Não”!

O momento mais próximo em que ela esteve de Israel foi no dia 27 de março de1984, quando visitou a Jordânia. Naquele dia, a rainha chegou junto ao Mar Morto, na margem oposta vislumbrou a Terra Santa, mas não entrou.

Naquela oportunidade, Elizabeth II fez dois comentários, dois comentários que nos podem ajudar a compreender, ao menos um pouco, a cabeça da rainha.

Quando lhe mostraram um mapa das aldeias e cidades israelenses encravadas nos desertos da Judeia e da Samaria, na região que o mundo denomina Cisjordânia, a rainha balançou a cabeça e disse: “Que mapa deprimente!”

Depois, um grupo de caças da Força Aérea de Israel fez um sobrevoo nas proximidades do local da visita, e diante daquele barulho ensurdecedor, a rainha exclamou: “Que assustador!”

Ou seja, diante da Terra Santa, a reação da rainha da Inglaterra foi de ignorância, ignorância no sentido de desconhecimento da realidade e não de grosseria; e de medo.

A ignorância, o desconhecimento, pode ser atribuído à manipulação das informações. O mapa que lhe foi apresentado, mostrava colônias israelenses estabelecidas em regiões abandonadas, inóspitas, onde nem mesmo os árabes ousavam habitar. Israel foi lá, levou água, levou infraestrutura, fez o deserto florescer.

A intenção dos jordanianos era confundir mesmo a cabeça da rainha, mostrando-lhe supostas invasões de terras que não pertencem a Israel. O que não corresponde à realidade.

Já a realidade que os jordanianos esconderam da rainha poderia saltar aos olhos se o mapa que lhes fosse mostrado fosse aquele que indica os campos de refugiados “palestinos” existentes na Síria, no Líbano e mesmo ali, na Jordânia, campos insalubres, mal administrados, e onde grupos de árabes descendentes de árabes israelenses, vivem uma vida miserável, completamente diferente da realidade dos árabes israelenses que vivem e trabalham livremente no estado de Israel. Se tivessem mostrado este mapa à rainha, aí sim ela teria razões para exclamar: “Que mapa deprimente!”

Já em relação ao medo despertado pelo som tonitruante dos caças israelenses, só podemos fazer uma suposição. Não havia razão para temor, pois a rainha estava na Jordânia, um reino amigo, estava com um esquema de proteção inigualável para a época.

O The New York Times relatou que atiradores de elite vigiavam os telhados, a polícia de segurança estava posicionada de cem em cem metros por todo o percurso por onde a rainha passou, desde o aeródromo militar de Marka, nos arredores do norte de Amã, até aos locais por onde ela passou. O avião que a conduziu, um jumbo da Queen’s British Airways, estava equipado com dispositivos antimísseis, de modo que, desde o espaço aéreo até aos deslocamentos em solo jordaniano, a viagem da rainha foi coberta por um esquema de segurança extremamente criterioso e eficaz.

Em relação ao país vizinho, Israel era uma nação amiga, uma razão a mais para a soberana não ter medo algum.

Mas, então, porque ela se assustou com a passagem dos caças?

E aqui abre-se espaço para as suposições. E para entender essas suposições, é preciso observar a linha do tempo, a linha do tempo não só do reinado, mas também da vida da Rainha.

Elizabeth II nasceu no dia 21 de abril de 1926, 8 anos após o término da 1ª Guerra Mundial. Naquela época, a Europa estava em reconstrução, o Império Otomano havia se esfacelado e a Terra de Israel estava sob domínio administrativo dos britânicos, no histórico “Mandato Britânico para a Palestina”.

Para entender melhor a questão, é bom lembrar que antes da Primeira Guerra Mundial, desde os anos 1450 a 1480, a Terra de Israel fazia parte do Império Otomano. Não havia ali, como muitos possam pensar, um Estado Palestino independente, apenas o Império Otomano.

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano foi dividido, diversas nações – históricas ou não – foram criadas, e a terra de Israel foi, uma vez mais, denominada Palestina. Esta manipulação da história confunde até hoje as cabeças menos estudadas, afinal de contas, foi dado à toda a Terra de Israel o nome da pequena faixa de terra localizada à Oeste da Terra de Israel, junto ao Mar Mediterrâneo. Ali, num passado longínquo, existiu o reino dos filisteus, os antepassados dos palestinos, e é onde se localiza hoje a conhecida Faixa de Gaza.

Acontece que desde sempre, os judeus nunca perderam a esperança de reconquistar o controle das suas terras. Eles haviam sido expulsos no ano 70 d.C. e agora, com o fim da 1ª Guerra, com o surgimento da Comunidade das Nações e com a organização dos movimentos sionistas, a concretização do sonho, a concretização das promessas bíblicas, estava cada vez mais perto.

Os britânicos mandavam na Terra Santa, mas havia diversas cidades e aldeias judaicas onde grupos armados defendiam seus moradores dos ataques sistemáticos realizados por grupos de desordeiros árabes. Dentre estes grupos, alguns dos mais significativos foram o Irgun, o Bilu,o Lehi e o Haganah…

Havia grupos mais moderados e grupos mais radicais sendo que entre os radicais havia um forte sentimento independentista, o que levou alguns desses grupos a realizarem ataques contra as tropas britânicas estacionadas na região.

E lá em Londres, a jovem Elizabeth Alexandra Mary, ainda princesa, mas com o pai severamente doente, recebia lições de diplomacia e geopolítica visando assumir o trono, e acompanhava, é claro, as notícias que chegavam do Oriente Médio.

E uma das notícias mais trágicas chegou no dia 22 de julho de 1946, 5 anos antes dela assumir o trono.

Em Israel, o grupo sionista Irgun detonou uma bomba na cozinha do Hotel Rei David, no centro de Jerusalém. A explosão matou dezenas de pessoas, entre as quais, 28 britânicos. Foi o maior e mais sangrento ataque realizado por um grupo judaico em todos os tempos!

Elizabeth II tinha 20 anos quando recebeu esta notícia, uma notícia que, certamente, não só abalou a futura rainha, como também deixou feridas. Feridas que também advieram da experiência que ela teve durante a Segunda Guerra Mundial, quando ela envolveu-se nos trabalhos de campo que aconteceram por toda a Inglaterra.

Só para se ter uma ideia do que a jovem princesa viveu nos tempos de guerra, de setembro de 1940 a maio de 1941 a Força Aérea Alemã bombardeou severamente a Grã-Bretanha, destruindo 2 milhões de casas e deixando 46 mil mortos. A princesa Elizabeth estava lá, ela tinha apenas 15 anos e assistiu a tudo aquilo. E foi impactada por tudo aquilo.

Seguramente, a imagens de bombardeiros sobrevoando sua cidade e lançando toneladas de bombas, não é uma imagem difícil de esquecer. Por isso, não é difícil entender o comentário da rainha quando ouviu o estrondo dos caças israelenses a ribombar sobre a sua cabeça.

TERIA A RAINHA SIDO ANTISSIONISTA OU ANTISSEMITA?

Elizabeth II tinha as piores memórias de guerra possíveis; Elizabeth II tinha lembranças desagradáveis da época do Mandato Britânico: e Elizabeth II tinha a mesma visão que boa parte do mundo tem dos campos de refugiados palestinos.

Mas, teria sido Elizabeth II uma monarca antissionista? Não há nada, absolutamente nada que aponte para isso. No máximo, o que podemos dizer é que ela via o Estado de Israel com uma certa frieza, mas não era uma antissionista, pelo menos uma antissionista clássica, destas que manifestam ojeriza a tudo o que se refere à nação de Israel.

E antissemita, teria ela sido antissemita. E isso é mais difícil ainda de dizer, afinal de contas o antissemitismo é algo de foro íntimo, é algo que a pessoa sente e expressa, ou sente e escamoteia. E mais uma vez é preciso destacar: Como a rainha nunca escreveu uma autobiografia ou diário – pelo menos que se se saiba – dificilmente saberemos isso.

Na prática, Elizabeth II teve dezenas de atitudes que apontam para o oposto. Mas como tudo o que envolve a realeza, tudo o que envolve a presença e as ações reais, é cercado de protocolo, de ritos, de cerimoniais, talvez nunca venhamos a saber se as ações da rainha em relação ao povo judeu foram sinceras ou protocolares.

Os embaixadores israelenses nunca tiveram problemas para serem aceitos pela Grã-Bretanha, diferentemente do que já aconteceu no Brasil e está acontecendo atualmente no Chile.

O presidente Shimon Peres, recebeu o título de cavaleiro honorário e dois rabinos-chefes da comunidade judaica britânica também receberam títulos de nobreza.

São atitudes diplomáticas, atitudes protocolares, no entanto são prerrogativas da Rainha. Ela podia dizer não ou protelar as indicações, mas ela não fez isso.

A relação da rainha com a comunidade judaica-britânica também foram bastante amistosas. A esposa do Rabino Immanuel Jakobovits, que tinha o título de “baronesa”, título outorgado pela rainha, conta que todas as vezes que eles foram recebidos em jantares no Palácio Real, o cerimonial providenciava, separadamente para eles, comidas kosher de alta qualidade. E mais do que simplesmente providenciar a comida kosher, a rainha mandava servir o rabino e sua esposa com prato e talheres novos, pratos e talheres que nunca tinham sido usados, para que a refeição fosse completamente kosher.

O protocolo não estipulava, os convidados não exigiam, mas a rainha mandava providenciar. Isso demonstra uma atenção por parte de Elizabeth II para com a comunidade judaica.

A baronesa Jakobovits diz, inclusive, que na hora do serviço, o prato do rabino era generosamente composto, sendo que o mordomo a ele dava uma maior atenção. Se aquilo era uma ordem expressa da Rainha ou uma decisão pessoal do mordomo, não sabemos e talvez nunca venhamos a saber, a menos que o mordomo, é claro, escreva um livro.

É claro que observando atitudes assim, é difícil dizer que a rainha era antissemita.

Agora, infelizmente para ela, a Rainha da Inglaterra nunca foi para Israel. E nunca mais irá.

Por isso, se você que está lendo este texto já foi para Israel, ou se pretende um dia ir para Israel, saiba de uma coisa: Você é mais privilegiado do que a Rainha da Inglaterra.

ANDS | NYT

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